Otimização de rotas

Planejamento de rotas de entrega no Excel: como se faz na prática e onde está o limite

Planejar rotas de entrega no Excel é o jeito mais comum de organizar o dia: a planilha já está aberta no computador do supervisor, ninguém precisa ser treinado e a primeira dezena de endereços é distribuída entre os entregadores em quinze minutos. O problema não aparece de imediato — e não é o fato de que "planilha é coisa do passado". Vamos ver como é uma folha de rota bem-feita no Excel, quais truques realmente economizam tempo, onde fica o limite objetivo da tabela e por quais sinais dá para perceber que já passou da hora de planejar de outro jeito.

Por que a entrega ainda é planejada na planilha

O Excel continua sendo o ponto de partida de praticamente toda operação de entrega que cresceu além do formato "dois entregadores e um telefone". O motivo é simples: a ferramenta já existe, não custa nada a mais e qualquer funcionário sabe usar. De manhã o supervisor exporta os endereços do sistema de gestão, ordena por região, distribui entre os entregadores — e às nove horas o dia está montado.

O segundo argumento é a flexibilidade. Dá para acrescentar qualquer coluna que o seu processo exigir: tipo de carga, código do interfone, a observação "ligar uma hora antes", o lembrete "entrada pelos fundos, tem cancela". Nenhum sistema externo se adapta às particularidades da sua operação tão rápido quanto uma coluna vazia.

O terceiro argumento é falar a mesma língua do mundo lá fora. O cliente manda os pedidos em planilha, o estoque entrega a expedição em planilha, o financeiro confere os pedidos concluídos pela planilha. Enquanto o volume é pequeno, o planejamento manual realmente sai mais barato que a automação, e não há por que mudar o processo só em nome da modernidade. A questão não é se o Excel é ruim em si, mas a partir de que volume ele para de dar conta e quanto custa demorar para migrar.

Como é uma folha de rota que funciona

Se você planeja na planilha, planeje com disciplina. Uma folha que realmente ajuda — em vez de criar uma aparência de organização — costuma ter este conjunto de campos:

  • Número do pedido — o mesmo do sistema de gestão, senão a conferência no fim do dia vira um trabalho à parte.
  • Endereço normalizado — cidade, rua, número, bloco, apartamento ou sala em um único formato. "Av. Paulista 1000 bl 2" e "Avenida Paulista, 1000, bloco 2" são linhas diferentes tanto para ordenar quanto para geocodificar.
  • Coordenadas — latitude e longitude em colunas separadas. Sem elas, a planilha não pode ser enviada a nenhum serviço de mapas.
  • Janela de horário — início e fim do intervalo em campos separados, e não um texto do tipo "depois do almoço".
  • Tempo de permanência no ponto — quantos minutos você reserva para a entrega, a assinatura, subir até o andar, fazer a instalação.
  • Entregador e ordem de visita — duas colunas que transformam a folha em uma rota.
  • Contato e observação — o telefone do destinatário e tudo o que o entregador precisa saber antes de sair.
  • Status e horário real — preenchidos ao fim do dia; é daí que sai a sua estatística no futuro.

Vale separar os dados em três abas: um cadastro de endereços com coordenadas e tempos padrão (preenchido uma vez e reaproveitado), a aba do dia atual e a aba de realizado, onde entram os resultados. Assim, toda manhã você não redigita a mesma coisa: os endereços conhecidos são puxados automaticamente e você trata à mão apenas os novos.

Truques que economizam o tempo do supervisor

Dentro da própria planilha existem alguns recursos que aceleram bastante a montagem matinal. Eles não resolvem a roteirização, mas eliminam a rotina e boa parte dos erros de digitação.

  • Validação de dados e listas suspensas para entregadores, zonas e tipos de pedido — evitam os erros de digitação que depois fazem o filtro deixar metade das linhas de fora.
  • Busca no cadastro (PROCV ou PROCX) — coordenadas, zona e tempo padrão são puxados automaticamente para o endereço que já apareceu antes.
  • Formatação condicional — destacar pedidos com janela apertada, atrasados, sem coordenadas ou sem telefone. O olho pega o problema antes da saída, e não depois.
  • Tabela dinâmica — a resposta rápida para quantos pontos e quantos minutos planejados sobraram para cada entregador. É a única forma disponível na planilha de enxergar desequilíbrio de carga.
  • Ordenação pela dupla "zona + início da janela" — uma heurística grosseira, mas que funciona: primeiro agrupa pela geografia, dentro do grupo ordena pelo horário.
  • Exportação para CSV — para levar a ordem dos pontos até um serviço de mapas e ver no que o plano se transforma no mapa.

À parte, vale criar uma regra de versionamento do arquivo: um arquivo por dia com a data no nome e um único responsável pelas edições. Metade das discussões matinais na central não é sobre a rota, e sim sobre quem está com a versão atual da planilha aberta.

Onde fica o limite objetivo da planilha

O Excel armazena e filtra dados muito bem, mas não sabe nada sobre as vias e não define a ordem de visita. Ordenar por região não é uma rota, é um agrupamento. A sequência final dos pontos continua sendo montada por uma pessoa, e é aí que começam as limitações que nenhuma macro e nenhum capricho resolvem.

  • Combinatória. O número de ordens possíveis cresce de forma explosiva a cada ponto novo. Com dez endereços o supervisor experiente ainda escolhe uma ordem razoável; com vinte, ele já pega a primeira alternativa que não gera conflito — e não a melhor.
  • Janelas de horário. Assim que metade dos pedidos passa a ter intervalos, o agrupamento geográfico entra em conflito com o temporal. Considerar ao mesmo tempo a proximidade dos endereços e os limites dos horários, de cabeça, é praticamente impossível.
  • Restrições. Capacidade de carga, volume, zonas de acesso, qualificação do entregador, autorização para o centro, retorno obrigatório ao depósito — cada condição elimina parte das alternativas, e no manual tudo isso precisa ficar na cabeça de alguém.
  • Replanejamento. Qualquer mudança ao longo do dia — um cliente que desiste, um pedido urgente, um veículo quebrado — invalida o plano da manhã. Remontar a planilha inteira em dez minutos não dá.
  • Ausência de retorno. A planilha não sabe onde o entregador está agora nem o que já foi feito. Enquanto ele não liga, plano e realidade existem separadamente.

A referência prática é simples: enquanto o dia tem poucos entregadores e algumas dezenas de endereços sem intervalos rígidos, a planilha se sustenta. Assim que surgem janelas, restrições e mudanças diárias em tempo real, a qualidade do plano passa a depender não dos dados, mas de quem está de plantão na central naquele dia.

Os custos ocultos do planejamento manual

O Excel parece gratuito porque seu custo não aparece em nenhuma linha do orçamento. Na prática, ele está diluído em várias rubricas — e cada uma delas dá para calcular.

  • Horas do supervisor. A montagem diária consome tempo toda manhã, e esse tempo não escala: o dobro de pedidos significa o dobro de trabalho manual.
  • Quilometragem excedente. A diferença entre uma ordem "sem conflitos" e uma ordem de fato curta é paga em combustível, desgaste do veículo e horas dos entregadores.
  • Dependência de uma pessoa. A lógica da distribuição vive na cabeça de um único funcionário. As férias ou a saída dele são um risco operacional, não uma questão de RH.
  • Erros de versão. Dois arquivos abertos, uma edição perdida, a folha de ontem enviada ao entregador — falhas clássicas que geram entregas não realizadas do nada.
  • Falta de dados para gerir. O realizado é anotado à mão e nem sempre; por isso não há de onde calcular o tempo real por ponto, o percentual de entregas no prazo e as causas das falhas.
  • Nada para mostrar ao cliente. Para responder "onde está o meu pedido" é preciso ligar para o entregador.

Vale destacar o último item: é ele que costuma dar o empurrão final para a migração. Os incômodos internos são tolerados por anos, mas a exigência do cliente de acompanhar o status por conta própria é, por princípio, impossível de atender com uma planilha.

Quando é hora de migrar e o que muda

Os sinais de que a planilha se esgotou costumam vir em bloco: a montagem matinal passa de uma hora, os pedidos ganham janelas de horário, os entregadores ligam para a central a cada mudança, à noite ninguém consegue explicar direito por que três pontos não foram fechados e os clientes pedem status em tempo real.

A migração deve ser feita de forma evolutiva, sem quebrar tudo em um único dia:

  • Organize os dados. Endereços normalizados, coordenadas, tempos reais por ponto — é isso que você vai levar da planilha para qualquer sistema.
  • Registre os números atuais. Quanto tempo leva o planejamento, qual a quilometragem por turno, quantos pontos por entregador, qual o percentual de entregas no prazo. Sem essa base você não vai saber o que mudou.
  • Mantenha o Excel como formato de troca. A planilha continua sendo um jeito prático de receber pedidos do cliente e exportar dados — o que muda não é o formato de troca, e sim o lugar onde a rota é montada.
  • Comece por uma parte da operação. Uma cidade, uma equipe, uma semana em paralelo com o processo de sempre.

O que aparece no lugar da montagem manual: os pedidos são recebidos e distribuídos entre os entregadores em uma única tela, a ordem de visita é calculada por um algoritmo que considera as janelas de entrega e as restrições, as rotas aparecem no mapa em tempo real, o entregador trabalha em uma interface web mobile com fotos e checklists sem precisar instalar aplicativo, e o cliente acompanha os status no portal. No itlogist, a otimização de rotas é construída sobre o motor OR-Tools — Roteirização no itlogist.

E os dados não precisam ser redigitados: o sistema troca informações com 1C, AmoCRM, Bitrix24 e Excel. A implantação leva 7 dias, sem contratos de longo prazo, e a solução foi pensada para equipes de 5 a 100 entregadores — ou seja, dá para testar a migração com o fluxo real de pedidos, e não no papel.

como sair da planilha para o planejamento automático de rotas

Perguntas frequentes

Dá para planejar rotas de entrega no Excel?

Dá, e em volume pequeno faz sentido: a planilha é gratuita, flexível e qualquer pessoa entende. O Excel armazena e filtra pedidos muito bem, mas não monta a ordem de visita — a sequência dos pontos continua sendo definida por uma pessoa. Enquanto o dia tem poucos entregadores e algumas dezenas de endereços sem intervalos rígidos, essa abordagem basta.

Quantos endereços dá para distribuir à mão?

Não existe um limite rígido; guie-se pelos sintomas. Com dez pontos o supervisor ainda escolhe uma ordem razoável; com vinte e janelas de horário, ele pega a primeira alternativa sem conflitos. Se a montagem matinal passa de uma hora com frequência, o limite já ficou para trás.

Que colunas a folha de rota precisa ter?

No mínimo: número do pedido, endereço normalizado, coordenadas, início e fim da janela de horário, tempo previsto de permanência no ponto, entregador, ordem de visita, contato, observação e os campos de realizado — status e horário efetivo da visita.

Por que ordenar por região não é uma rota?

A ordenação agrupa endereços, mas não sabe nada sobre as vias, o trânsito e os limites das janelas de horário. Dentro do grupo, a ordem de visita ainda precisa ser definida à mão — e com duas dezenas de pontos ela quase nunca sai curta.

Vou ter que abandonar o Excel depois de migrar para um sistema?

Não. A planilha continua sendo um formato prático de troca: é assim que se recebem pedidos dos clientes e se exportam dados para conferência. O itlogist troca dados com Excel, além de 1C, AmoCRM e Bitrix24 — o que muda não é o formato dos arquivos, e sim o lugar onde a rota é montada.

← Todos os artigos: Otimização de rotas