Otimização de rotas

Entrega com janelas de horário: como montar o processo e cumprir os slots

Entrega com janelas de horário é a promessa de levar o pedido não «ao longo do dia», mas dentro de um intervalo combinado: das 10h às 14h, das 18h às 20h ou em uma hora marcada. Para o cliente, é conveniência; para a operação, é uma restrição dura que quebra o planejamento habitual. Vamos ver como escolher a largura do slot, como montar rotas que cabem dentro desses intervalos e o que fazer quando o dia sai do previsto.

O que é uma janela de horário e quem precisa dela

Janela de horário é o intervalo dentro do qual o profissional se compromete a chegar ao cliente. Em geral, usam-se três formatos: o slot largo de meio período (das 9h às 18h), o médio de duas a quatro horas (das 14h às 18h) e o estreito, próximo de uma hora marcada (das 15h às 16h). Quanto mais curto o intervalo, maior a qualidade de serviço percebida — e mais caro sai cada ponto atendido.

Nem toda operação precisa de slots na mesma medida. Para uma transportadora que leva documentos e encomendas pequenas, muitas vezes basta um intervalo largo: o cliente aceita esperar. Mas assim que o pedido exige que alguém esteja fisicamente em casa ou no local — eletrodomésticos grandes, móveis, instalação, medição, reparo, recebimento de mercadoria em uma loja —, a janela vira obrigação. Sem ela, cresce o número de entregas frustradas: o entregador chega e não há quem receba.

Categoria à parte é a entrega B2B para redes e centros de distribuição. Ali, quem dita a janela não é o cliente em pessoa, e sim o regulamento de recebimento: a doca está livre das 7h às 11h e, fora desse intervalo, o veículo simplesmente não é aceito. Esse tipo de janela não admite descumprimento, e o dia inteiro precisa ser planejado em torno dela.

Como escolher a largura do slot

A largura do intervalo é sempre um meio-termo entre a promessa feita ao cliente e o custo da rota. Uma janela estreita reduz drasticamente a liberdade de quem planeja: os pedidos deixam de se agrupar por geografia e passam a se agrupar por horário, o que significa mais quilometragem, mais deslocamentos vazios e menos pontos por profissional em um turno.

No que se apoiar na hora de decidir:

  • Densidade de pedidos. Se um mesmo bairro concentra dezenas de endereços por dia, janelas estreitas ainda são viáveis: os pontos ficam perto. Com geografia esparsa, um slot estreito equivale a uma viagem exclusiva.
  • Duração do serviço no local. Entregar uma encomenda em cinco minutos e fazer uma instalação de uma hora pedem intervalos de larguras diferentes: quanto mais longo e imprevisível o serviço, mais larga precisa ser a janela.
  • Custo do erro. Considere não só a quilometragem, mas também o preço de uma segunda visita quando a entrega falha — às vezes a janela estreita se paga pela queda no número de visitas malsucedidas.
  • Disposição do cliente em pagar. O intervalo estreito funciona bem como opção paga à parte, enquanto o largo permanece como padrão.

Na prática, o melhor não é uma janela única para a base inteira, e sim dois ou três níveis de oferta: o slot largo básico, o intermediário e o premium estreito. Assim você evita submeter toda a logística às exigências mais rígidas de uma minoria dos pedidos.

Como as rotas são montadas considerando as janelas

A tarefa de quem planeja não é apenas achar o caminho mais curto, e sim achar o caminho mais curto em que cada ponto seja visitado dentro do seu intervalo. Na teoria de roteirização, isso é uma classe própria de problema — o VRP com janelas de tempo. O algoritmo precisa, ao mesmo tempo, distribuir os pedidos entre os profissionais e definir a ordem de visitas de modo que ninguém chegue antes da abertura do slot nem depois do seu fechamento.

Para que o cálculo bata com a realidade, o modelo precisa incorporar três grandezas: o tempo de deslocamento entre os pontos, o tempo de trabalho no local (entrega, assinatura, descarga, instalação) e uma folga para imprevistos. O erro mais comum do planejamento manual é contar apenas a estrada. Quinze minutos para chegar, procurar vaga e subir até o andar, multiplicados por vinte endereços, consomem várias horas do turno que não estavam no plano.

O segundo detalhe é a espera. Se o entregador chega antes da abertura da janela, ele fica parado. O algoritmo considera isso e ou reposiciona o ponto para mais tarde, ou encaixa outro endereço entre ele e o anterior. Uma pessoa dificilmente faz esse tipo de rearranjo de cabeça: com vinte pontos, as combinações são demais.

Na prática, funciona assim: o operador carrega os pedidos com seus slots, o motor os distribui entre profissionais e define a ordem de visita, e os pedidos problemáticos, que não cabem em nenhuma rota, ficam destacados à parte — é preciso remanejá-los, passá-los para outro dia ou combinar outro horário com o cliente. No itlogist, a otimização de rotas roda sobre o motor OR-Tools e considera as janelas de entrega e as restrições de cada profissional — Roteirização no itlogist.

O que mais costuma estourar as janelas na prática

O plano perfeito às nove da manhã já não corresponde à realidade ao meio-dia. As causas típicas de descumprimento:

  • Tempo no local subestimado. No plano são cinco minutos, na prática quinze — e, no quinto endereço, a rota já está uma hora atrasada.
  • Trânsito e clima. Picos de manhã e de fim de tarde, chuva forte, interdições — tudo isso estica os trechos.
  • Alterações de última hora nos pedidos. O cliente muda o horário ou o endereço quando o entregador já está a caminho, e toda a sequência seguinte perde o sentido.
  • Cliente que não atende e recusas. Uma visita em vão não é só uma entrega perdida: são minutos perdidos dos clientes seguintes.
  • Plano apertado demais. Se o turno é montado sem folga, qualquer atraso pequeno empurra em cascata os pontos restantes.

Contra as duas primeiras causas ajuda uma estatística honesta: registre o tempo real de trabalho no local e o tempo real de deslocamento nos seus endereços, em vez de estimar parâmetros de cabeça. Contra as demais, folga na agenda e a possibilidade de rearranjar rapidamente o restante da rota sem refazer o dia inteiro.

Controle ao longo do dia: não descobrir o atraso pelo cliente

As janelas só funcionam quando o operador enxerga o atraso antes de o cliente insatisfeito ligar. Para isso não serve um relatório no fim do dia, e sim um panorama em tempo real: onde está cada profissional, quais pontos já foram fechados e se ele vai cumprir o próximo slot.

O conjunto mínimo de ferramentas para o dia a dia:

  • rotas no mapa em tempo real — dá para ver quem está no horário e quem ficou para trás;
  • status dos pedidos informados pelo profissional: aceito, a caminho, concluído, não foi possível entregar;
  • comprovação no local — foto e checklist, para que o fechamento do ponto seja um fato, e não uma marcação «de boca»;
  • portal do cliente com os status: ele mesmo acompanha o que acontece e não ocupa a linha do operador;
  • procedimento de reatribuição: o que fazer quando é evidente que o profissional não chegará a tempo da próxima janela.

Também conta o retorno para o futuro: cada ponto perdido deve entrar na estatística com o motivo. Em um mês, esses dados mostram onde o problema é sistêmico — nos parâmetros de tempo, em um bairro específico, em um profissional isolado ou na própria promessa feita ao cliente.

Por onde começar a migração para slots

Não tente adotar janelas estreitas para a carteira inteira de pedidos de uma vez — a operação quebra logo na primeira semana. Uma sequência sensata:

  • Meça a base. Quantos minutos realmente se gasta em cada ponto e quanto leva o trecho entre endereços na sua cidade e nos seus bairros.
  • Defina dois ou três slots. Comece por intervalos largos que você cumpre com certeza e venda o estreito como opção separada.
  • Planeje as rotas automaticamente. A distribuição manual já deixa de funcionar com algumas dezenas de endereços com janelas.
  • Adote uma métrica. O percentual de entregas no prazo por slot e por profissional é o indicador principal para decidir se dá para estreitar as janelas.
  • Integre com o sistema de gestão. O slot deve chegar da origem dos pedidos, e não ser digitado à mão: o itlogist troca dados com 1С, AmoCRM, Bitrix24 e Excel.

Daí em diante, avance guiado por dados: se o percentual de entregas pontuais no slot largo se mantém alto, há margem para encurtar o intervalo. Se não, não há o que encurtar — primeiro corrija os parâmetros de tempo e o planejamento. A implantação do itlogist leva 7 dias, sem contratos de longo prazo, e atende equipes de 5 a 100 profissionais — ou seja, dá para testar a hipótese dos slots com pedidos reais, e não na teoria.

como funciona a roteirização com janelas de horário no itlogist

Perguntas frequentes

Qual janela de entrega é considerada ideal?

Não existe resposta universal: a janela ideal é a mais estreita entre aquelas que você cumpre de forma estável. Comece por um intervalo largo de meio período, meça o percentual de entregas no prazo e encurte apenas onde a estatística mostrar folga. Faz sentido manter os slots estreitos como opção paga.

Por que janelas estreitas aumentam o custo da entrega?

O intervalo estreito impede agrupar os pedidos por geografia: os pontos precisam ser visitados na ordem ditada pelo horário, e não pela proximidade. Cresce a quilometragem, surgem deslocamentos vazios e esperas antes da abertura da janela, e o número de endereços por profissional no turno cai.

Dá para planejar entregas com janelas manualmente?

Com poucos endereços, sim. Mas já com algumas dezenas de pontos com intervalos a pessoa não consegue manter na cabeça a combinação de tempo de deslocamento, tempo de trabalho no local e limites de cada slot, e o plano se descola da realidade nas primeiras horas do turno.

O que fazer se o entregador claramente não chegará a tempo da próxima janela?

É preciso ter um procedimento descrito de antemão: o operador identifica o atraso pelo mapa em tempo real, avisa o cliente e ou transfere o ponto para outra rota, ou combina um novo horário. O pior cenário é ficar sabendo do atraso pelo próprio cliente.

Como contabilizar o tempo de trabalho no local?

Coletando dados reais, e não parâmetros «no olho». As marcações de início e fim do serviço feitas pelo profissional revelam a duração real da visita por tipo de pedido, e são justamente esses números que entram no planejamento das rotas.

← Todos os artigos: Otimização de rotas